O simbolismo do signo de Aquário não é o recipiente onde se colocam peixes. Um de seus mitos é o do Aguadeiro: um escravo prestes a liderar uma revolta e se emancipar, que carrega nos braços duas ânforas. Um dos vasos contém água e o outro vinho, que ele entrega de casa em casa, indiscriminadamente.
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Ao derramar a água contida numa das ânforas, o Aguadeiro difunde novos mecanismos de conhecimento. Simultaneamente, ao derramar o vinho, ele propaga novas formas de comportamento. Ele nunca toca no conteúdo que sai de seus vasos, para que as pessoas não sejam influenciadas e possam fazer as suas escolhas com base no livre-arbítrio.
Note que, junto com Gêmeos e Virgem, Aquário é uma das poucas imagens totalmente humanas do bestiário que simboliza o Zodíaco. Reparem ainda que há uma dualidade presente no universo simbólico aquariano, como nos demais signos do elemento Ar: Gêmeos (2 irmãos), Libra (2 pratos da balança) e Aquário (2 ânforas). É que, necessariamente, a comunicação, a relação, o comportamento e a ciência – temas do elemento Ar - estabelecem contextos de "dialogia", de interação Eu-Você.
O fato de se tratar de um escravo é muito importante, pois Aquário é sempre um signo politizado em alguma instância: seja militando em alguma organização, fazendo parte de uma tribo específica, reivindicando melhores condições de trabalho ou se unindo aos moradores do condomínio ou do bairro. O escravo do mito aquariano irá se sublevar e se emancipar, tomando parte em uma rebelião que garantirá a igualdade para todos. Os privilégios da nobreza e do rei não fazem sentido, porque ninguém nasce superior ao outro. Aquário, portanto, é um signo profundamente identificado com a democracia e a sociedade civil. A Revolução Francesa, por exemplo, ocorreu quando o signo estava em grande destaque no Céu.
Hoje, porém, quando praticamente os direitos universais do homem chegaram a quase todos o cantos do globo, muitos aquarianos continuam a mostrar-se engajados na luta para que estes mesmos direitos sejam finalmente respeitados em toda parte. E, naturalmente, novos desafios estão na ordem do dia: empresas gananciosas que se recusam a parar de poluir o meio ambiente, mudar a consciência das pessoas em relação à Natureza, os crimes cometidos contra crianças, mulheres e idosos, a corrupção nos governos etc.
O Zodíaco, em seus signos iniciais, trata de questões mais diretamente relacionadas ao indivíduo e sua sobrevivência (isto é, de uma autossuficiência que serve de instinto protetor, algo imprescindível no meio natural e biológico). Já os últimos signos do Zodíaco irão tratar de simbolismos e significados associados à inserção deste indivíduo em ambientes e temas complexos como a comunidade, grupos e círculos específicos de pessoas e a perspectiva de futuro que coloca os seres humanos sempre em contato com o desenvolvimento de si mesmos.
Portanto, Aquário diz respeito ao indivíduo em sociedade buscando, na maioria das vezes, a evolução da humanidade fundada na difusão do conhecimento e na liberdade do comportamento. Assim, todas as formas de saber avançado e de conhecimento são ligadas ao signo, bem como posições políticas definidas, rebeldia contra injustiças, movimentos de vanguarda e apreço pela vida noturna.
Convém ressaltar que, por mais que a idéia de coletividade esteja vinculada a Aquário, o indivíduo aqui nunca dissolve a sua autonomia e independência, mantendo sempre uma convicção extremamente pessoal (e por vezes bastante teimosa) das coisas, a sua ideologia de vida. O tipo de dissolução do ego na direção da comunidade, da Natureza e do Universo a que fiz menção está melhor caracterizado no signo de Peixes, o último do Zodíaco - e isso é conversa para o mês que vem!