A cantora-revelação Susan Boyle, destaque no programa “Britain’s Got Talent” que arrebatou a audiência na internet com centenas de milhões de acessos e se tornou mundialmente conhecida da noite para o dia, teve nos últimos 2 meses uma experiência e tanto. Foram semanas tão intensas para esta mulher de 48 anos que ela chegou a parar numa clínica psiquiátrica. Tendo por base o seu Mapa Astral, vamos compreender melhor a personalidade desta Ariana, com Ascendente Câncer e Lua em Libra, e o que justifica uma reviravolta tão grande em sua vida, além, claro, de seu inegável talento.
A Personalidade
A mãe de Susan tinha 47 anos quando ela nasceu, e complicações no parto ocasionaram uma parada cardíaco-respiratória no bebê, que acabou ficando com sequelas. Tendo vindo ao mundo no auge de uma Lua Cheia, seu Mapa Astral apresenta Sol, Lua e Marte em tensão direta, o que pode simbolizar as difíceis circunstâncias envolvendo o seu nascimento, ainda que nem todas as pessoas com essa característica tenham problemas ao nascer. Marte, contudo, quando em estado cósmico desafiador pode ser extremamente violento e expor a pessoa a riscos de vida.
Diagnosticada como portadora de dificuldades de aprendizagem, Susan Boyle possui “alterações estruturais, mentais, emocionais ou neurológicas que repercutem no desenvolvimento de suas funções cognitivas”. Ela sofreu bullying na escola, onde era conhecida como “Susie Simple” e já podemos identificar aqui os seus primeiros problemas de socialização, que astrologicamente se devem à posição delicada da Lua [regente do Mapa e uma das responsáveis pela imagem] em Libra [signo de relacionamentos]. O Sol em Áries, por sua vez, está na casa 11 [inserção na comunidade], também afligido. Marte, ao desafiar tanto o Sol como a Lua, indica a agressividade dos colegas de escola que se estendeu a outros momentos da sua vida, como, veremos, em seu próprio sucesso artístico.
Em função de seu déficit de aprendizado, Susan teve apenas um emprego até o estrelato tardio: ela foi ajudante de cozinha por 6 meses. Não experimentou envolvimentos amorosos e nem chegou a beijar um homem. Como vimos, a relação tensa entre o Sol, a Lua e Marte explica boa parte dos seus problemas de socialização, mas, especificamente no campo amoroso, a posição retrógrada de Vênus [como se estivesse andando de marcha-ré] em Áries [um signo onde esse planeta não se sente em casa], acentuou as suas dificuldades. O estado de confronto entre Vênus e Saturno também não ajuda muito, pois gera inibições. Como Vênus é o planeta da autoestima e da harmonia estética, e encontra-se retrógrado e em um signo estranho às suas características, também podemos fazer uma associação direta entre esse fator astrológico e a falta de cuidado com que a cantora se vestia ou se embelezava, ou ainda, ao fato de guardar as suas economias em uma garrafa vazia de whisky. O trígono entre Vênus e Urano, aliás, diz muito de suas excentricidades.
Susan Boyle sempre atuou como voluntária numa igreja da cidade onde nasceu, visitando e dando apoio à gente que passava por problemas pessoais. Sua única gravação de uma música foi feita do próprio bolso, para um CD de caridade, em 1999. Esta faceta da sua personalidade se deve ao Grande Trígono entre Mercúrio, Marte e Netuno, que induz a uma vivência mais espiritual do cotidiano e atividades filantrópicas. O estado cósmico muito positivo entre esses três planetas revela, astrologicamente, o que a fez se tornar mundialmente famosa: seu grande talento. Susan é naturalmente musical; nasceu com esse dom e tem a enorme facilidade de inspirar quem a ouve.
O Sucesso
A mãe de Susan sempre estimulou a filha cantora, desde os 12 anos, o que pode ser constatado pelo contato muito positivo entre a Lua [mãe] e o Meio-do-Céu [carreira]. Este é um aspecto astrológico que indica responsabilidade de um filho sobre a sua mãe, e após o pai de Susan morrer e seus irmãos terem deixado a casa da família, foi ela quem permaneceu, cuidando da mãe. Ela sempre dizia que a filha precisava se inscrever em concursos e soltar a voz para audiências mais amplas, assumindo um desafio maior do que simplesmente cantar na igreja local. Susan, insegura, dizia ainda não estar preparada para isso.
Vários são os fatores passíveis de serem indicativos de algum tipo de insegurança no Mapa Astral, mas, em princípio, o principal responsável pela segurança emocional é a Lua. Ao estar em oposição ao Sol e em posição difícil em relação a Marte, vemos que, muitas vezes, Susan Boyle enxergava os obstáculos maiores do que eles eram realmente. O estado de tensão entre Vênus e Saturno aponta para a sua baixa autoestima e, o fato de Marte, regente do signo solar [Áries] estar em um signo avesso às suas características [Câncer, de natureza mais frágil e sensível], revela que às vezes ela demonstra uma certa falta de coragem para encarar desafios. Marte, o deus guerreiro, está, portanto, em um signo mais doce e carinhoso, o que em determinados casos dá menos gás para as batalhas.
Quando sua mãe morreu, Susan entrou em profunda depressão, trancando-se em casa com o seu gato de estimação. Em seguida, decidiu fazer o que ela sempre lhe aconselhara: cantar em um programa de televisão. A morte de sua mãe representa um divisor de águas em sua vida, não apenas por ela ter sido a pessoa mais importante, mas também por marcar uma nova atitude em relação ao seu próprio talento como cantora.
Geralmente, processos de transformação mais profunda e perdas de parentes estão associados a Plutão. Na morte de sua mãe, em 2007, Saturno, um planeta que sempre está ligado, de uma forma ou de outra, a restrições e limites, passou por cima do Plutão de seu nascimento. Os trânsitos de Saturno sobre Plutão também são comuns em casos de depressão. Por outro lado, poucos meses depois, o Plutão do Céu (ou seja, daquele momento, e não o do seu nascimento) passou pelo Descendente, o ponto oposto ao Ascendente. Trânsitos de Plutão como este geralmente indicam separações de casais, por exemplo, mas, no caso de Susan, o que verificamos é justamente a ausência da mãe, que sempre foi tão presente em sua vida.
No dia 11 de abril deste ano, Susan fez a sua primeira apresentação no "Britain’s Got Talent". Ao entrar no palco, com sua aparência improvável para uma estrela, a cantora despertou o desdém dos jurados e do público. Contudo, ao cantar esplendidamente, deixou todos boquiabertos. O mesmo fenômeno em relação às reais possibilidades de sua performance se repetiu nas milhões de audiências na internet. O mundo se emocionou, e não apenas com a sua voz, mas também porque as pessoas imediatamente passaram a se questionar: até que ponto julgamos as pessoas pela aparência? A grande verdade é que todos, ao tirarem a primeira impressão e se depararem com a sua fisionomia, acabavam (in)justamente cometendo bullying. Em escala planetária.
O surgimento daquela estrela improvável revelou-se um grande fenômeno a ser explorado pela mídia: dos tablóides a Hollywood, todos se renderam ao sucesso (e às oportunidades, claro) que Susan Boyle trouxe. Menos de duas semanas depois da aparição da cantora, ventilou-se a possibilidade de uma super-produção do cinema, cogitada para ser dirigida por James Cameron (Titanic) e interpretada por Catherine Zeta-Jones ou Demi Moore.
Já conhecida como “a cantora virgem gordinha”, especulações condicionavam que a produção do filme ou uma eventual turnê pelos Estados Unidos passava necessariamente por uma vitória no programa de calouros no qual estava competindo. Paralelamente ao sucesso estrondoso, o professor de canto Fred O’Neil se mostrava preocupado, afirmando que o assédio sobre Susan poderia ser bastante prejudicial, “pois ela precisa ter tempo para treinar”.
Nesse meio-tempo, até o desenho animado “Os Simpsons” criou um episódio inspirado na cantora. Homer Simpson, seu personagem principal, declarou: “Tenho 39 anos e nunca fui beijado. Meu sonho é ser um grande cantor, como Susan Boyle”. Os tablóides faziam a festa, descrevendo os banhos de loja onde ela “dava uma repaginada”, com cabelos cortados e pintados, roupas mais modernas, mas “ainda desengonçada”, por ter se deixado fotografar com o zíper da calça aberto.
A cantora Lily Allen, no Twitter, disse que Susan era “exagerada, cantava fora do tom, não tinha controle e nem uma voz incrível. Susan pode cantar, mas a questão ali é talento, não? Ela parece ser uma senhora bacana, mas se a finalidade do show é premiar cantores talentosos, não merece vencer”.
O Desgaste
Convém novamente lembrarmos que Susan tem condições psiquiátricas especiais, não estando pronta para o sucesso instantâneo e suas consequências (aliás, quem está?) e sem ter a mãe, sua grande referência, mais a seu lado. Vimos que esta ausência encontra simbolismo na oposição de Plutão ao Ascendente, passando pela cúspide da sua casa 7. Por outro lado, este mesmo aspecto astrológico pode caracterizar sucesso repentino, pois a casa 7 está ligada ao outro e, quando planetas ligados ao inconsciente coletivo como Plutão por lá passam, podem conferir “fenômenos de audiência”, fato que já verifiquei ao fazer Mapas de diversos artistas ou mesmo de programas de televisão. No caso específico de Susan Boyle, Plutão em oposição ao Ascendente Câncer indica a voracidade com que a exposição na mídia incidiu sobre a sua fragilidade psíquica.
Às vésperas da grande final do “Britain’s Got Talent”, Susan brigou com dois estranhos no saguão do hotel onde estava hospedada, em Londres, no que foi noticiado como sendo “um ataque de raiva”. Eram fãs de uma concorrente, a mesma que Lily Allen, por sinal, torcia a favor. Policiais tiveram que expulsá-los do hotel e advertiram a cantora: "você agora é uma figura pública, que está na mira da imprensa e dos curiosos. Você tem que saber que coisas assim acontecem". Neste dia, uma conjunção entre Vênus e Marte em Áries [o signo solar de Susan] na casa 11 [integração na comunidade] entrou em forte tensão com Plutão na casa 7 [ausência de amparo; hiper-exposição]. Muito irritada e estressada, a cantora falou em desistir de participar da final do programa, o que acabou sendo desmentido por ela mesma no dia seguinte. Na reta final, Susan Boyle se mostrava cada vez mais abalada.
Na noite da final, em 30 de abril, o que era considerado improvável pela grande maioria das pessoas aconteceu: Susan não venceu o programa, ficando em segundo lugar. Ela teve um comportamento elegante ao aceitar a derrota (deixou de ganhar 100.000 libras esterlinas e uma apresentação de gala para a Rainha Elizabeth II), mas, no dia seguinte, em seu quarto de hotel, teve uma crise e, após ser levada em uma ambulância, foi internada em uma clínica especializada.
A derrota e o surto psiquiátrico também estão relacionados ao aspecto de tensão entre Vênus, Marte e Plutão, mas também à oposição exata entre o Sol do Céu e Netuno do Mapa da cantora no dia da final. A oposição Sol-Netuno indica momentos de insegurança que tendem a minar o equilíbrio emocional e espiritual, além de poder atrapalhar performances artísticas. Ora, se alguém não estava nas condições ideais para encarar o desafio de uma finalíssima, essa pessoa era Susan que, por sinal, sucumbiu à derrota.
Depois da comoção pela internação (e também de algum escárnio) começou um debate para saber se a imagem de Susan Boyle teria sido indevidamente explorada. Da produção do programa aos jornalistas foram procurados culpados para o estado lastimável da cantora após o final do “Britain’s Got Talent”.
Batizada de “BGT Live Tour” a turnê que cruza a Grã-Bretanha com os finalistas do programa, já teve quatro apresentações de Susan canceladas por estresse. Hóspedes do hotel no qual ela se encontrava afirmaram que a cantora gritava por seu gato, Pebbles, o único “membro da família” a permanecer com ela depois da morte da mãe. Não se sabe se Susan Boyle será capaz de comparecer ao convite para cantar na Casa Branca, no dia da independência americana, no próximo 4 de julho.
Enxergando o Fenômeno Susan mais além
Quando nossa análise chega aqui, já nos vemos numa situação mais ampla, que transcende a própria Susan Boyle. Há muito que se aprender com essa lição, e ela serve a todos nós. O mesmo se aplica ao próprio ano de 2009, se nos concentrarmos na parte da Astrologia que estuda os fenômenos coletivos.
O ano no qual nos encontramos traz duas lições; uma diz respeito à grave crise de modelo que vivemos atualmente e, a outra, sobre a inspiração de nos movermos na direção de um novo modelo. A crise na economia e o consequente desarranjo na geopolítica mundial, mas também uma série de padrões contraditórios da nossa cultura, estão simbolizados pela oposição entre Saturno e Urano e pelo ingresso de Plutão em Capricórnio, fatores de uma grande ruptura no sistema que os astrólogos já previam de longa data.
Mas há também a conjunção entre Júpiter e Netuno em Aquário, dois planetas ligados às artes e à transcendência, num sentido mais amplo, bem no signo que representa a Nova Era a ser estabelecida com a precessão dos equinócios. Este é um tema para outra ocasião, mas, especificamente quanto a Júpiter-Netuno em Aquário, temos, em primeiro lugar, o talento da cantora. Susan é uma grande intérprete; alguém discorda de que ela é uma das grandes revelações musicais deste ano?
Em seguida, contudo, temos o fenômeno coletivo, de escala planetária mesmo [Aquário], e ele engloba, inevitavelmente, o desequilíbrio entre as baixas expectativas da audiência, calcadas pela aparência de Susan e a emoção comovente de seu talento indiscutível. Pelo tremendo alcance que os meios de comunicação vêm atingindo [Aquário] foi possível o mundo ter uma experiência transcendente do ponto de vista artístico e espiritual [Júpiter-Netuno].
Susan Boyle nos deu a lição de que o sentido último da arte, em especial do canto, não reside na aparência que quem sobe ao palco, essa é a lição do ponto de vista artístico. Mas, do ponto de vista espiritual, fica em nós a vergonha do preconceito e da futilidade de nossa cultura de celebridades, da qual ela é, sem dúvida, uma antítese.